Alisamento Capilar

O alisamento consiste no rearranjo da estrutura dos cabelos - de cacheados ou crespos para lisos ou ondulados.

O alisamento consiste no rearranjo da estrutura dos cabelos – de cacheados ou crespos para lisos ou ondulados. Classicamente, são os mesmos agentes químicos utilizados no permanente: a diferença é a técnica de modelagem para chegar ao resultado final (bobs ou bigodin para permanente e escova + prancha nos alisamentos). Os alisantes clássicos são o ácido tioglicólico/tioglicolato e hidróxidos (sódio, potássio, cálcio e guanidina). (Anvisa RDC 03/2012).

E como eles agem?

Em resumo, o mecanismo dos alisantes é por meio da quebra das pontes dissulfeto do córtex da haste capilar. Essa quebra é o que permite que o cabelo fique maleável para ser moldado na forma final que se deseja. No caso dos alisamentos, os fios são secos com secador e, em seguida, aplica-se a prancha quente para esticá-los.

O grande problema dos alisamentos clássicos é a INCOMPATIBILIDADE entre tioglicolato e hidróxidos. Outro problema é o pH muito alcalino dessas substâncias, que podem causar queimaduras no couro cabeludo e quebra dos cabelos, caso sejam utilizados incorretamente. Além disso, o pH alcalino também torna os fios mais frágeis, com menos resistência e força. 

O grupo de alisantes ácidos é o que popularmente se conhece como escova progressiva. O formaldeído (formol) foi a primeira substância utilizada com essa finalidade, sendo misturado a produtos contendo queratina hidrolisada (aminoácidos) e aplicado nos cabelos. Com o aquecimento promovido pelo secador e pela chapinha, o formol é liberado como gás e ocorre uma reação química entre a queratina hidrolisada/aminoácidos e a queratina do cabelo, chamada de crosslink, modificando a sua estrutura e tornando os fios lisos.

 O uso de formol como alisante é PROIBIDO! O formaldeído é uma substância cancerígena, representando risco para as pessoas expostas cronicamente a ele (como os profissionais dos salões de beleza). A exposição aguda ao formol pode trazer diversos riscos à saúde, tais como: reações alérgicas e de irritação na pele (incluindo couro cabeludo com queda de cabelo associada), nos olhos e nas vias respiratórias (com sintomas como falta de ar e tosse), além de intoxicação que pode inclusive levar à morte.

Após a proibição do formaldeído, outras substâncias passaram a ser utilizadas nas escovas progressivas:

– Ácido glioxílico está, atualmente, ainda em análise pela ANVISA sobre sua segurança para uso como alisante.

– Cisteamina HCL, Cisteína HCL, Aminoácidos de queratina glyoxyloyl e Carbocisteínaglyoxyloyl também não estão regulamentados ainda, mas existem produtos contendo esses ativos que já possuem registro na ANVISA.

 Sim, toda essa parte envolvendo a Anvisa é MUITO complicada e com mudanças constantes.

Outros produtos:

Pirogalol – é a substância ativa da Henê. É permitida pela Anvisa (RDC 15/2013), mas proibida na Europa por seu potencial cancerígeno. No Brasil, a Anvisa permite a utilização desde que respeitados os limites em relação ao pH (o pH ácido do produto anularia seus possíveis efeitos mutagênicos, ou seja, que poderiam gerar câncer).

Nesse link (https://www.sbd.org.br/mm/cms/2019/12/27/guiacuidadosformol-2.pdf) há um guia da Sociedade Brasileira de Dermatologia com as principais informações sobre os alisamentos.

As minhas principais dicas são:

Você sempre deve saber qual o produto que está sendo utilizado no seu alisamento e consultar na ANVISA (http://portal.anvisa.gov.br/alisantes) se é um alisante liberado, através do número de processo, presente no rótulo do produto.

Cuidado com produtos que são vendidos como alisantes e não têm liberação da ANVISA para isso! Um produto para ser vendido como alisante precisa provar que é seguro para ser liberado pela ANVISA (cosmético de grau 2). É muito comum produtos registrados como condicionador ou máscara (que são cosméticos de grau 1) serem comercializados como alisantes.

Após constatar que o alisante é registrado na Anvisa, leia atentamente as instruções de utilização do produto e observe as advertências que constam na embalagem.

Não utilizar esses produtos se o couro cabeludo estiver irritado ou lesionado. Se você trata alguma doença do couro cabeludo e cabelos, consulte seu dermatologista antes do uso.

Formol e glutaraldeído SÃO PROIBIDOS pela Anvisa como alisantes.

Meus vídeos no YouTube sobre escova progressiva: 

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